domingo, 5 de dezembro de 2010

A vida é pra levar


Pode ter sido o sol quente na cabeça enquanto eu voltava pra casa no meio-dia do sábado. Mas um cheiro indefinido de água com alguma coisa (talvez cloro) me trouxe à memória a piscina do condomínio dos meus avós; pinhada de gente, cangas, biquinis, boias, risos e brincadeiras. Foram poucas, mas boas, as vezes em que fui lá - mesmo tendo carteirinha de sócia com foto de janelinha na boca.

A minha infância foi ensolarada embora as nuvens carregadas que cismavam em me encobrir. Minha sorte foi ter como abrigo a família com a qual fui presenteada.

Então um dia de sábado de sol na piscina do condomínio dos meus avós me lembrou meu avô me ensinando a andar de bicicleta. Lá mesmo, numa tarde de semana, eu cambaleando entre os jardins, playgrounds e halls. Depois à noite eu subia pro apartamento de vovó e tomava uma ducha deliciosa, nunca tomei banho igual! Jantava o manjar dos deuses no sofá enquanto assistia Chaves, TV CRUJ e todas as séries de entretenimentos que classificam minha geração como a última de uma verdeira e divertida infância...
... saudades do meu avô me trazendo, escondido, doce de leite e doce de côco depois do almoço... da minha avó encontrando um jeitinho pra todos os meus problemas e me fazendo ver a vida sempre como um sábado ensolarado na piscina do condomínio...


Realmente os fios do meu cabelo fritaram e o suor pingava depois de caminhar ao sol pela Alameda levemente refrescada pelos carros em alta velocidade.

É bom olhar pra trás com saudade, com vontade de voltar e repetir cada tentativa frustrada de mergulho ou cada topada nas pedras do jardim. É a certeza que tenho dentro de mim de que fui abençoada por Deus pela vida que levo.



¬ P. Quintão