domingo, 28 de julho de 2013

Sacodindo a poeira


É engraçado quando a inspiração é maior nas horas de dor.
Assim como temos de buscar forças em Deus para nossas fraquezas, precisamos sair do marasmo e impedir que caiamos no abismo de vez.
O fim tem um significado muito maior do que simplesmente "acabou." E se aprende muito mais do que "não farei dessa forma de novo, tudo será diferente daqui pra frente."
O tempo é muito bom sim, um mestre. Cura feridas, apaga mágoas, perdoa corações. Mas o tempo também é cruel, porque nos mostra a verdade. Ou será Deus em sua infinita e misericordiosa bondade que escolheu essa a forma de nos falar?
Há alguns meses eu venho experimentando de uma comunhão muito interessante com Deus.
Não é de uma espiritualidade elevada e nem chega aos pés de ser perfeita, longe disso.
Mas eu posso sentir Deus me moldando, me ensinando e me fazendo queimar a língua por várias vezes. Não teimosa, rebelde, intransigente e tenho o péssimo hábito de confrontar e desagradar meu Pai.
É um processo doloroso e ao longo dele me vejo obrigada a assumir que não venho sendo uma boa filha; mas Deus é bom demais e insiste em me amar.
Muitos conceitos se perderam no caminho e já não posso afirmar com certeza o que sou.
Só posso afirmar o que não sou.
Duro é descobrir que você não é a poderosa super mulher. Não sou a menina quase perfeita vítima do meio. Descobri que sou mais vítima de mim mesmo do que um dia pudesse imaginar.
Agora entendo porque Deus me mostra todos os dias o "Ainda Não". Porque realmente ainda não estou preparada. A casa ruiu.
Vi em mim tudo o que desprezava no outro. E me entristeci.
De forma alguma desmereço meus dons e qualidades, dádivas do meu Deus. Mas já não posso sustentar o sacrifício que faço para esconder minhas fraquezas. Já não posso suportar a dor que causo quando estouro nas pessoas erradas.
Já não posso dizer para mim mesma que sou aquilo que não sou. Só o que posso é fazer de tudo para ser o que meu Deus espera que eu seja.
Depois da descoberta, não me vejo próxima do final perfeito pois já descobri o caminho das pedras. É muito mais difícil.
Me vejo em obra. Quebrada, levando marteladas, moldada novamente, arquitetada, planejada; como se o projeto anterior não tivesse dado certo.
O arquiteto nunca esteve errado. Mas o terreno onde a casa havia sido construída não era rochoso, era de areia.
Para colar todos os caquinhos espalhados, sujos e quase irrecuperáveis, Deus poderia usar uma cola super poderosa e me colocar de pé rapidamente.
Mas o meu Deus não é Deus de remendo, não é Deus incompleto, de ajuste somente.
O meu Deus usa todo o seu amor, graça e misericórdia e me faz nova. Por isso o processo é mais demorado, porque é feito com cuidado, com os melhores materiais e às vezes é necessário desmontar e começar tudo novamente; até que a casa esteja firme, bonita, com todos os seus alicerces em perfeito estado, e o mais importante, firmados na Rocha.




¬P. Quintão