quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Pão com queijo

       Tenho o costume de comer meu pão com queijo, no café da manhã, começando pelas beiradas para depois, finalmente, comer o miolo repleto de recheio.
         Dessa vez, me peguei pensando sobre o porquê disso.
       Não é o ritual da Tortuguita. Não há necessariamente cabeça e patas para seguir uma ordem e morder o pão do jeito certo. É uma questão de experimentar o melhor ao final.
         Sim, e logo depois pensei em como nossa vida se parece com um pão com queijo. Quer ver só?
       Ao longo da nossa - às vezes longa - vida, passamos por micro - às vezes macro - desafios. Temos obstáculos imensos para ultrapassar, realidades para construir ou desconstruir, provas difíceis para passar e alcançar uma vitória. É a beirada do pão. A casca, a parte "massuda", sem graça, sem gosto.
      Passamos por tantos percalços na nossa jornada que não nos damos conta de que, na maioria esmagadora das situações, precisamos começar pelas beiradas duras e sem sabor para, enfim, desfrutar do delicioso recheio, fruto do nosso esforço, recompensa pela nossa honrada guerra. 
         Ou na casa de vocês o sanduíche inteirinho tem recheio transbordando pão afora??
        Ah! Quando mordemos o recheio e o queijo derrete em nossa boca, quase que esquecemos por completo aquele amargo dos momentos difíceis que passamos! Mas fala a verdade, a graça é muito maior quando vamos por este caminho! O recheio é mais intenso, mais saboroso, mais esperado, mais valorizado...
        Claro que gostaríamos da vida saborosa em todo o tempo; com queijo derretido sem nenhuma demora. Mas fica essa lição pra próxima vez que tomar um delicioso café com pão: assim como nossas vidas, muitas vezes precisamos experimentar sensações que não gostamos para enfim chegar ao tão esperado recheio. E acredite, quando acontece assim, é muito mais gostoso.
          


¬ P. Quintão

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Inexpremível

"Às vezes é preciso perder tudo para me encontrar."

Sim, agora eu sei, Pai. 
Eu realmente achei que já havia alcançado o Teu querer em mim. Que já havia passado pelas provas mais duras e pelos vales mais tortuosos.
Até me encontrar aqui. Nesse tamanho tão diminuto. Como sou pequena, errante, e com tanto ainda a absorver de Ti.
Minhas orações nunca suplicaram tanto por refrigério. Nunca fiquei tão sem palavras para descrever o que venho passando. Ao mesmo tempo, eu nunca tinha estado tão perto de Ti, meu Pai.
Pai, eu só não estou derrotada ao chão, porque enquanto o Senhor for o meu chão, nada pode me derrubar. Mas as batalhas têm sido muito cruéis comigo.
Tenho dificuldade para respirar, puxar mais um fôlego e seguir. Olho ao redor e o vale se torna ainda maior.
Sei que não é aqui que o Senhor me quer, mas foi necessário me trazer até aqui. Eu sei.
Também sei que não posso reclamar. Puxo o ar mais uma vez, respiro fundo e digo: Vai valer a pena. Tenho tudo o que preciso, pois tenho Cristo e a sua graça me basta.
A sua graça me basta... A sua graça me basta... A sua graça me basta.
E em tudo dai glórias!
Não vou desistir, meu Pai. Não posso! O Senhor nunca desistiria de mim.
Só peço que tenha paciência comigo; me dê força e sabedoria para continuar enfrentando o que for preciso.
Pai, se fores comigo, irei onde for. Se for para o Senhor me moldar, me colocar ainda mais à prova, no fogo, me ensinar em um vale ainda mais profundo e escuro, pode mandar!
Se for para estar cada vez mais perto do centro da Tua vontade e do teu coração, pode mandar!
Tá muito difícil. Mas nunca será impossível. Essa minha cruz nunca será maior que àquela que o Senhor carregou, com toda a humanidade nas costas. O Senhor me acompanha, e sinto que quando vou desmoronar, Tu me pegas no colo.
Pode mandar! Toda prova se tornará um testemunho, porque eu vou em nome do meu Senhor Jesus Cristo.


¬P. Quintão