domingo, 5 de dezembro de 2010

A vida é pra levar


Pode ter sido o sol quente na cabeça enquanto eu voltava pra casa no meio-dia do sábado. Mas um cheiro indefinido de água com alguma coisa (talvez cloro) me trouxe à memória a piscina do condomínio dos meus avós; pinhada de gente, cangas, biquinis, boias, risos e brincadeiras. Foram poucas, mas boas, as vezes em que fui lá - mesmo tendo carteirinha de sócia com foto de janelinha na boca.

A minha infância foi ensolarada embora as nuvens carregadas que cismavam em me encobrir. Minha sorte foi ter como abrigo a família com a qual fui presenteada.

Então um dia de sábado de sol na piscina do condomínio dos meus avós me lembrou meu avô me ensinando a andar de bicicleta. Lá mesmo, numa tarde de semana, eu cambaleando entre os jardins, playgrounds e halls. Depois à noite eu subia pro apartamento de vovó e tomava uma ducha deliciosa, nunca tomei banho igual! Jantava o manjar dos deuses no sofá enquanto assistia Chaves, TV CRUJ e todas as séries de entretenimentos que classificam minha geração como a última de uma verdeira e divertida infância...
... saudades do meu avô me trazendo, escondido, doce de leite e doce de côco depois do almoço... da minha avó encontrando um jeitinho pra todos os meus problemas e me fazendo ver a vida sempre como um sábado ensolarado na piscina do condomínio...


Realmente os fios do meu cabelo fritaram e o suor pingava depois de caminhar ao sol pela Alameda levemente refrescada pelos carros em alta velocidade.

É bom olhar pra trás com saudade, com vontade de voltar e repetir cada tentativa frustrada de mergulho ou cada topada nas pedras do jardim. É a certeza que tenho dentro de mim de que fui abençoada por Deus pela vida que levo.



¬ P. Quintão

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O dia seguinte

Ouvi a porta rangendo e o corpinho miúdo e castigado pelos anos e angústias se esgueirando porta afora. 
A noite tivera sido mais escura que de costume e as lágrimas pesavam mais que sua alma.As olheiras já profundas assumiam um fardo que fora carregado por anos a fio.
Não era necessário dizer nada. Nunca foi. As palavras entram e não fazem sentido nenhum.
Melhor mesmo é um abraço, é enxugar uma lágrima e dar um sorriso de apoio.
Por fim se recostou. Olhou para o relógio e constatou que a vida é isso mesmo, uma passagem; como passam os ponteiros. Comer alguma coisa, quem sabe... não, isso era luxo. Graça seria deixar de sentir aquela dor.
Mas o coração se aliviava... não há mais o que temer, ele estava salvo!
E suspirou agradecida.


¬ P. Quintão

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Retificando o 4 de maio


Levanto, saio, chego.
Saio de novo, chego.
saio novamente e chego.
Vou dormir.
Pra levantar, sair e chegar.
Quero ver falar agora !











¬ P. Quintão

Lá fora


"Marina diz (21:34):
vc ainda tá com ele na cabeça, né?...
mas há tanta vida lá fora...rs"





Lá fora é outro mundo, não meu mundo. Lá fora tem gente, muita gente. Tanta gente que às vezes não é a gente que eu quero ver. Lá fora é lá. Eu tô aqui.


¬ P. Quintão

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Então faz!

Faz tu, faça você.
O que não pode é não fazer!
Todo dia. Dia-a-dia.
Faço eu que não sou tola
De perder folia à toa.
E se não fazem, faz você.
Quer ouvir, vá lá cantar.
Ver, vá lá mostrar.
Aprender, vá ensinar.
Faço eu que não sou boba.
Se deixar o tempo voa.
Faz tu, faça você.



¬ P. Quintão

terça-feira, 6 de abril de 2010

Às águas tranquilas...

      Noite alta, luzes baixas, pingos grossos, fortes e progressivamente ritmados faziam o coração de qualquer trabalhador ou estudante pulsar na noite do dia 05 de abril de 2010. Sem ainda ter consciência do tamanho da tragédia que vinha se arquitetando noite adentro. As únicas coisas que fluíam eram as correntezas de águas barrentas, impregnadas de lixo, trazendo mais asco à situação.
      No desespero a visão já estava turva, os sentidos de direção se confundiam, o zunido dos poucos carros que conseguiam atravessar o lago artificial das ruas era muito parecido com o rasgar do coração diante das cachoeiras que brotavam do asfalto. "Não temas" . Em Matheus 28:10 eu ia me acalmando, segurando nas mãos de Deus e dizendo para mim mesma: você vai conseguir. 
      Mas para onde ir? Estava ilhada. "Eu sou o bom pastor". Na palavra em João 10:11 eu tentava me orientar. Mesmo mergulhando e forçando os pés no chão para não ser carregada, consegui chegar em local seguro. É preciso se agarrar em Deus e deixar que Ele te leve até um local seguro, e mais seguro que em Seus braços você não estará. Mas muita gente ainda se encontra em desespero...

      Deus é a nossa Rocha, nossa Fortaleza, Socorro bem presente na tribulação. A nossa fé é a nossa salvação. As chuvas que atingiram o Rio de Janeiro foram mais uma aflição que temos que enfrentar. Mas Cristo tudo venceu por nós. 
      Mais um pedido é encarecidamente feito: Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Brasil!!! Voltem para Cristo!! Deixem que Deus seja o seu pastor. "Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas." (Salmos 23:2). Misericórdia, Senhor por aqueles que choram, enxuga suas lágrimas e alivia seus corações...
      Àqueles que sofreram por conta das chuvas que recebam a Paz do Senhor. Estejamos orando por suas vidas e suas famílias, e ajudando no que estiver ao nosso alcance. 
      Que a paz e amor de Deus estejam com todos vocês!

      "...mas livrai-nos do mal. Amém".


P.S.: Sei que este deve ser o 3º ou 4º post com cunho religioso que escrevo. E? Nunca disse que não o faria ou que o faria sempre. Este é um país livre e eu sou uma mulher livre, graça a Deus. Nunca deixarei de pregar a Palavra do meu Deus.


¬ P. Quintão

sábado, 20 de fevereiro de 2010

"Só sei que nada sei"


















  •        Agora na madrugada, depois de ouvir as músicas mais bregas e dignas de fossa, e de um bom banho gelado, descobri que não sei o que quero.
         Pois é. Logo eu. Cheia de iniciativas, atitudes, com personalidade forte, determinada... logo eu. Mas afinal são apenas 20 anos de experiências bem sucedidas e outras tantas catastróficas. Nesse ponto me sinto consolada pelo evolucionismo darwinista de que um dia chego lá. Por que não eu?
           Eu não tenho a menor pretensão de transformar este blog num diário, muito menos escrever bonito pra me redimir de meu último post - com o qual não simpatizei nem um pouco. (Ah! E querem saber? Quem são vocês pra criticarem o que faço?) A descrição já diz: 'tudo o que minha mente pensou e minhas mãos não deixaram de escrever'. Nossos pensamentos são maravilhosamente geniais por sua ausência de sentidos.
            Se porventura eu não escrevi tudo o que penso ou sinto (meus sentimentos são racionalizados para que eu possa decifrar em códigos pra vocês, como uma tradução), é porque não encontrei os códigos certos; ficou dentro de mim e só eu sei ler esse meu idioma.
           Mas então eu me arrependi mais daquilo que não fiz. Estou sempre atenta a tudo que me rodeia. Tudo menos eu mesma, que coisa né. Aí passa, eu não percebo e já é tarde demais - e não venham me dizer que nunca é tarde! Descobri algo incrível também: eu não quero o que sempre quis quando tenho tudo pra ter. (Entenderam?) Não é menos-valia não, é insegurança e descuido mesmo, dúvida em cima de dúvida e eu acabo perdendo. Sua boba... ah, se arrependimento matasse!
           Sabe o famoso (?) "Penso, logo não durmo"? Pois é, como as noites são torturantes pra mim. Pensar é eterno e irritantemente ininterrupto. Posso divagar sobre diversos assuntos o dia inteiro, mas à noite a esperança se finda e bate o desespero. Falei, falei, planejei e não fiz. Ah é, por isso também vire e mexe eu acordo arrependida de uma atitude precipitada da noite anterior. A certeza do dia seguinte recarrega minhas baterias. Quem sabe né?
           Já está tarde. Dessa vez eu escrevi muito (primeiro fiz um rascunho e minha mão já está doendo). Dizem que quando a gente desabafa se sente melhor. Humpf! Isto aqui não é nem de longe um divã. Viu, eu disse que não transformaria este espaço num diário... mas quem resistiria?? Disse desde o início que não sabia, não disse? Ainda não sei. Devo estar bêbada de sonhos regados com doses duplas de arrependimentos. E eu já cansei de dizer pra mim mesma e pros outros que viver é desenhar sem borracha... Fala sério, todos já quisemos voltar atrás. Por que não eu?




    P.S.: Sim, créditos: 
    à citação "Só sei que nada sei" - Sócrates;


    à música "Por que não eu?" - Leoni;

    aos títulos de comunidade no Orkut: "Penso, logo não durmo" e "Viver é desenhar sem borracha". aham, vocês me acham lá;

    (o resto fui eu mesma que pensei).


    ¬ P. Quintão

    quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

    Acerca das minhas verdades

    Não adianta querer impor verdades sobre um coração magoado,
    Uma cabeça fechada, um gênio indomável.
    A verdade absoluta impera entre as nossas verdades inatingíveis.
    E como somos imperadores de nossas vontades
    Convocamos o melhor exército e nos recarregamos com as melhores armas,
    Fazemos os melhores discursos, queremos ser o que não temos...
    Mas vontade é coisa que dá e passa...
    Logo desistimos e vamos à procura de outra verdade.
    Aquela mesmo, nossa, torta e incompleta.
    Aí não adianta nada...
    Mas é tão boa a ilusão!
    Pelo menos até o momento em que você se convence que é real.
    Depois dói demais.
    Mas verdades e vontades são relativamente mutáveis e temporais.
    E não vou me estender quanto ao amor, por exemplo, meu assunto dolorosamente preferido.
    Me estendo quantos as imposições, regras e contrariedades que você me impõem.
    É, você mesmo.
    Lembra da máxima "o inferno são os outros"? Eu concordo discordando, mas enfim...
    Só aí adianta lutar a favor de nossas verdades. Imperadores, lembra?
    Mas o que digo é que sou a favor de que todos imperem.
    Não, o anarquismo pouco me instiga,
    Mas as expressões livres de enunciações e interrogações são tentadoras.
    Uma boa explanação com argumentos estapafúrdios, se bem dirigida e iludida,
    Se torna a verdade mais bela e incontestável.
    Admiro tal capacidade.
    Deter todo relativismo e trancar as brechas da contrariedade.
    Se deixar enganar é ser feliz de mentira.
    Pra ser feliz de verdade, basta deixar coração e mente abertos,
    Não abertos a tudo - aí já é ignorância, 
    Mas ao que está do lado de fora do ilusório sofrimento.
    E então, se alguém souber como faz pra chegar no fim do arco-íris me avisa, ok?


    ¬ P. Quintão

    terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

    sobre a vida do lado de lá da tela
























    ...sei lá...
    pra mim lá fora não ta muito bom não.
    aqui é quase um bálsamo...
    por enquanto, me deixo ficar...


    ¬ P. Quintão

    sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

    Doce retorno




    Da primeira vez, linda, arrebatadora e empolgante,
    o coração ardia ao soar do nome;
    os encontros eram constantes tornando a saudade ausente;
    o desejo de conhecer ainda mais não cabia no peito
    e crescia junto com a vontade de firmar um relacionamento sublime.
    O assunto era inesgotável e único....
    Depois veio a rotina, o comodismo, 
    o desinteresse e a satisfação com pouco.
    Na primeira dificuldade estremeceram as paredes da sólida construção chamada amor.
    Os ventos batiam cada vez mais forte e brigas e desentendimentos se tornaram frequentes.
    O questionamento era o mesmo, repetido de diferentes maneiras por diferentes razões 
    "Por quê?"
    Ruiu e deixou caos.
    Profundo foi, chorando a cada recordação dos velhos tempos.
    Viu como estavam longes um do outro.
    Por um tempo afastados a saudade fez doer.
    Um sempre se interessou em procurar o outro.
    Disse que nunca haveria de abandonar, 
    que estaria por perto quando precisasse.
    O outro esnobou, não deu crédito, desconfiou, tentou pouco...
    Vieram amigos, família e o prazer de outras paixões.
    Ficaram a solidão, a fraqueza, o desespero.
    Sabia o que devia fazer, mas era covarde em pedir ajuda.
    "Lembra quando sentia o coração arder?"
    Timidamente procurou, se chegou devagarinho,
    de mansinho pra não mostrar o tamanho de seu desespero em voltar 
    e ter em seus braços aquele afago gostoso...
    Recebeu carinho, um largo sorriso
    um EU TE AMO  maior que o mundo!
    Sentiu paz preenchendo seu pequeno corpinho
    Sorriu de verdade pela primeira vez depois de anos
    Pediu perdão e se sentiu formiguinha.
    Recebeu sem merecer. A gratidão seria eterna.
    Como era bom voltar pra casa!
    Era melhor que da primeira vez!
    Agora mais firme, mais fiel e com um amor ainda maior.
    Viu que estava em segurança agora
    Nunca mais vai deixar esse amor ruir,
    pois sabe que a qualquer momento e em qualquer lugar
    tem quem esteja ao seu lado com os braços abertos e carregados de compaixão.
    Bastava simplesmente declarar esse amor, 
    mesmo que baixinho
    mesmo que fraquinho 
    ou como o pensamento, quietinho:


    JESUS !


    ¬ P. Quintão