quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Pai do ano




"Eu queria um pai assim..."
Essa frase foi o gatilho para que eu compartilhasse meu desejo de ter um "Pai do ano" também.
Ontem, a Rede Bandeirantes de Televisão transmitiu o episódio final do primeiro MasterChef Brasil. Eu não sabia ainda, mas a vencedora, Elisa Fernandes, seria uma inspiração para mim.
Não digo que agora também ingressarei na gastronomia, quem sabe... mas ela trilhou um caminho árduo e precisou crescer muito para chegar ao primeiro lugar do pódio.
Ela tem 24 anos, quase a mesma idade que eu. E como eu, também estava "perdida" com relação ao seu futuro profissional. Tentou cursar Filosofia, depois trabalhou como promotora de eventos e, enfim, admirando o pai - médico - na cozinha, resolveu arriscar vestindo o dólmã e fazendo arte para ser apreciada com garfo e faca. Quantos são os jovens que hoje sabem logo de primeira a carreira que os acompanhará por toda vida? Até hoje tenho minhas dúvidas...
Mas então ela escolheu arriscar. Entrou muito tímida para o programa, embora desde o início seu talento se revelasse a cada prato que elaborava. Falava baixinho, quase se escondendo, sem acreditar muito em si, sem confiar no seu potencial.
Ahh, Elisa... se eu te disser que me vejo muito nesse seu comportamento, você acredita? Quantas vezes tenho que mentalizar e me repetir como um mantra de que eu sou capaz... Mas graças a Deus você ouviu os Chefs e se posicionou. Mais do que isso, acreditou. Imprimiu sua marca na gastronomia e venceu assinando sua personalidade em cada prato.
Vocês devem estar se perguntando o que o pai tem a ver com essa história toda. Tem que ele foi a inspiração pra ela começar a cozinhar, e mais que isso, foi o herói dela ao abrir o pote de goiabada que atrasava a finalização da sobremesa nos segundos finais da competição. Seu Sidney, consagrado "Pai do ano".
Tenho certeza de que ele não é "só" isso pra ela. E pra mim também não porque me fez pensar.
A cena em que ele a "salva" é emocionante. "Eu queria ter um pai assim...", foi o meu desejo. Sabe, eu não tenho um pai presente. Só isso já daria um livro da história da minha vida se eu resolvesse destrinchar os detalhes do porquê disso acontecer comigo. Mas não é a intenção aqui.
Segundos depois de eu proferir essa frase, senti que alguém ficou triste, enciumado. Era meu Paizão me lembrando: "Ei! E eu? Eu estou aqui...". Na mesma hora quis me retratar com Ele.
Realmente não é justo afirmar que eu queria ter um pai se eu tenho um rs! Por alguns segundos eu tinha me esquecido do quão Paizão Deus havia sido comigo durante esses 25 anos. Por alguns segundos eu havia me esquecido de quantas vezes Ele já foi inspiração pra mim, pra começar projetos, pra agir de determinadas maneiras, pra descobrir quem eu sou e caminhar sem desapontá-Lo. Por alguns segundos eu havia me esquecido de quantos potes de goiabada ele já havia aberto para mim, me salvando nos segundos finais de várias situações tensas. Ahh, pai... desculpe. Eu apenas reclamei de algo que não lembrava que já havia vivido.
Quando eu olho uma cena dessas, de um pai sendo um pai, muitas vezes não me lembro das cenas que vivi com meu Pai - Celeste sim, mas pai de todo jeito. Sabe, é final de ano; época propícia pra retrospectivas. E eu puxo na memória quais foram os potes de goiabada que tentaram me colocar em apuros... Como é bom ver claramente a presença do meu pai em cada momento desses. Ele faria tudo por mim, e fez! Mais do que tudo, Ele morreu e depois de três dias ressuscitou por amor a mim! Levou consigo todas as minhas iniquidades pra que eu tivesse uma vida eterna ao Seu lado! Com certeza Ele é um Paizão! Meu Pai do Ano de todos os anos da minha vida!
Obrigada, pai da Elisa, por nos lembrar que todos podemos ser e ter Pais do Ano! Mas principalmente, que podemos contar sempre com nosso Paizão pra abrir quantos potes a vida nos mandar!


¬P. Quintão