quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Pequei, Senhor?¹
Pecar pelo excesso?
Pela escassez então?
Pecar?
Tentar?
E arriscar?
E se eu falar, e se eu fizer?
Difamação, blasfêmia.
E se eu calar, e se eu não quiser?
Omissão, inércia.
Me explica então como é que a gente é livre nesse fim de ditadura, de censura disfarçada, de preconceitos e leis tortas!
Faz aí preu ver!
Ué... mas você também faz que nem eu...
Você também se cala quando não devia.
Você também explode as verdades que carrega consigo e não aguenta aquietá-las quando são ameaçadas.
Você também tem medo... cadê coragem?
Ora, fiquei sabendo de liberdades condenáveis, de dedos em riste, de olhos juízes.
Ah, me caluniam porque amo, porque cristalizo sentimentos, porque me abro e compartilho vitórias, lágrimas, justiças!
Ah, você promete que não vai me prender se eu disser o que sou, o que sinto, o que penso?
Promete que me encontrarei com os anjos celestes se eu lutar pela verdade, pelo amor, pela livre expressão dos que querem o bem?
Eu também prometo não te condenar.
Vamos respeitar as almas que falam.
Mas as que calam também merecem que as velemos.
Ora, não me assuste com ameaças!
Não seja hipócrita, pois tu também amas e quer gritar!
Porém tu não sabes falar... não sabes escrever... não sabes querer saber.
Então não me olhe com olhos mesquinhos.
Pecado é não tentar aceitar.
Se não gosta, volte ao seu lugar e lá fique.
Então eu já não me calei frente às tuas falácias?
Só não me impeças.
Eu sempre vou tentar.
¬ P. Quintão
¬¹ Gregório de Mattos; Livro dos Sonetos.
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