domingo, 22 de dezembro de 2013
Na janela
Não há melhor divã que janela de ônibus.
As de carros talvez também sirvam, mas nada é mais eficaz que uma longa viagem ou um engarrafamento no ônibus. Acredito que seja pelo desconhecido. Geralmente se está no ônibus com pessoas que não te conhecem ou a sua vida e que ao saírem dali provavelmente nunca mais o verão, ou simplesmente não têm influência sobre a sua vida, como se ninguém espiasse seus pensamentos. Eu disse geralmente.
De modo oposto, é bem mais provável que se esteja em um carro com amigos, família, ao menos conhecidos; o que te faz interagir ou fugir da hipótese de viajar pela janelinha, como se fossem descobrir seus segredos. Eu disse provável.
Não é só questão de olhar para si mesmo e pensar e repensar toda uma vida. A janela tem sido uma das mais raras telas reais pela qual o homem ainda se interessa. Quando finalmente conseguimos tirar nossos olhos do celular, notebook, iPad, tablet etc, redescobrimos o mundo e as pessoas.
Ainda sim, mesmo com fones de ouvido, músicas altas e uma playlist diversificada, ainda sim nos desligamos e os sons servem de trilha sonora para estes momentos.
É incrível como é tão simples nos ausentarmos de nós mesmos e parar em um universo paralelo, onde imaginamos hipóteses, construímos sonhos, relembramos situações, emoções... e deixamos isso tomar conta de nós. Choramos, rimos, temos insights, tomamos decisões, conversamos com Deus...
Ultimamente, me visitar tem aberto muito meus olhos, mesmo quando eles se fecham para sentir ao máximo momentos que gostaria de viver no futuro, e reviver melhor velhos momentos, me perguntando por que fiz aquilo ou por que não arrisquei aquilo outro.
Mesmo que as lembranças não sejam das melhores ou mesmo que você não reproduza com detalhes os mais lindos momentos da sua vida, nada é mais impactante que repentinamente perceber que precisa "puxar o sinal" e voltar à realidade.
¬ P. Quintão
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