sábado, 19 de maio de 2018

Suculenta

Hoje eu não encontrei meu vasinho com suculenta que ficava na cabeceira da minha cama.
Eu não conheço muito sobre plantas, mas sabia que suculentas não precisam muito de água. Elas têm esse nome por um motivo; já possuem um reservatório natural de água em suas folhas, não necessitando serem regadas constantemente.
Fui perguntar à minha mãe se ela sabia onde estava, e ouvi: ah, ela se despedaçou toda... sabe, ela não gosta muito de água, e quando toquei em suas folhas ontem, elas simplesmente caíram...
Eu achei estranho pois, justamente por isso, colocava apenas um pouquinho de água. Todos os dias. Tratava com carinho. E ela estava linda, verde, vistosa, parecia saudável. Bom, aprendi que suculentas podem morrer "afogadas".
Na mesma hora em que saí do quarto da minha mãe fui até a área de serviço onde encontrei o vasinho com a planta já completamente desfolhada.
E aí uma palavra veio ao meu coração...

O excesso mata. Ela estava cheia, plena. Era uma planta pequena, em um vaso pequeno. Ela não tinha pra onde expandir ou compartilhar de toda água que vinha recebendo. Ela se enchia, se enchia, e aquilo que a deveria fortalecer, a destruiu.
Não é assim também conosco? Pensei em toda Palavra, instrução, conhecimento e amor que recebemos. Alguns, todos os dias, como um alimento diário... um alimento que deveria nos manter de pé, firmes, saudáveis, bonitos... mas e quando recebemos demais? E quando apenas retemos e retemos, e engordamos com tanto saber. Nossos corpos já não sustentam tanto conhecimento, nosso ego já não sabe lidar com tanto amor. Mas então por que continuam a nos dar? O que pode nos diferenciar da suculenta? Compartilhar.
Nascemos para compartilhar de todo o alimento que recebemos com o próximo. Todo amor que recebemos de Deus todos os dias, recebemos para nos encher e para encher a vida do nosso irmão. Todo conhecimento que recebemos, recebemos para ensinar e trazer luz à outras pessoas.
Podemos parecer bonitos por fora, gordos de tanta sabedoria, inchados de tanto alimento que ganhamos, fortes e robustos. Mas pra quê?
Não fomos chamados para absorver e reter e inchar. Mas sim para dividir, equalizar e passar adiante.
Assim, aquilo que em excesso pode nos destruir, dá vida a quem está destruído por nada receber.
Não somos uma suculenta desfolhada. Mas temos o suficiente para nós e para o outro. 


- P. Quintão

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