sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

[quando eu ainda era iludida] - Impressões de um lugar

   Ao entrar em uma agência de publicidade situada em um edifício alto e de arquitetura moderna na Avenida Paulista, vê-se logo muita beleza, embora o clima seja de agitação e estresse. No ar, perfumes e cigarros de todas as marcas se misturam.
   A agência é ampla, ocupando um andar inteiro do edifício e dando a impressão de infinito. No lugar de paredes, vidraças, deixando a luminosidade entrar fortemente e revelando lá fora, concreto, agito e poluição. Somente olhando para cima vê-se um céu azul fosco e um sol amarelo tímido. O lugar é bem limpo, embora desorganizado e gelado por causa do ar-condicionado central.
   Por dentro há apenas salas e gentes, todos bem equipados. Nas mesas novas de vidro e mármore branco, espalhadas por toda parte, estão computadores, telefones, bilhetes, papéis, desenhos, canetas, cores. Trabalhadores incansáveis sentados ao redor das mesas gesticulam, mofam, criam. Em seus semblantes, cansaço e euforia; em seus corpos, roupas e assesórios de muito bom gosto. 
     Da rua vinha a cor concreto que escurecia a vista. 
     Por dentro eu via as cores na mais pura nitidez. 


¬ P. Quintão
    

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